Trabalhos

Criação de capas para dois livros que tinham como conteúdo a filosofia Renascentista e a filosofia Iluminista. Além de criação de duas peças de campanha para divulgação de um dos livros.

1. Filosofia Renascentista

Livro: “RECONSTRUINDO MONALISA: A Filosofia Renascentista”

2. Filosofia Iluminista

Livro: “Coleção Iluminare: Visão e filosofia Iluminista”

Peças de divulgação: banner e folder

Banner

Folder - parte interna

Folder - capa e costas

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Análise crítica vinculada a teóricos do Curso de Publicidade e Propaganda

Em uma passagem do livro “A única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas”. Essa é um dos princípios de uma boa publicidade. O publicitário, assim como o filosofo, não pode se habituar com o mundo. A maioria das pessoas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Tanto publicitário quanto o filosofo devem permanecer receptivos e sensíveis às coisas.

Merleau Ponty disse “a verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo”.

Tem-se um pensamento que todos somos míopes, pois enxergamos as coisas como são, apenas de um ângulo ou modo. A filosofia, nesse contexto, aparece como um antídoto para a miopia. Ela é a capacidade de pensarmos diferente, ter pensamento critico (discernimento, algo que não seja senso-comum), ir na contramão. A boa publicidade se entrelaça nesse ponto com a filosofia. Para ambos é fundamental: ter um olhar diferenciado do mundo, uma nova perspectiva, ou seja, ser original, sair do senso-comum.

De acordo com Freud, a consciência seria mais ou menos como a ponta de um iceberg que se eleva para alem da superfície da água. Sob a superfície, estão o subconsciente ou o inconsciente.

Tudo o que pensamos ou vivemos e tudo do que nos lembramos quando pomos a cabeça pra funcionar Freud chama de “pré-consciente”. A expressão “inconsciente” significa, para Freud, tudo o que reprimimos.

Nessa luta de consciente versus inconsciente, se encontra a obra-prima dos publicitários: a inspiração. Aquela idéia salvadora que veio ‘do nada’. Ela não veio do nada. Isso acontece segundo Freud, quando deixamos a porta do inconsciente entreaberta. Assim, tudo flui espontaneamente e então é possível escolher exatamente as palavras e as imagens necessárias.

Sócrates pertence a todas as áreas acadêmicas, desde comunicação até natural. Suas contribuições são imensuráveis. Mas no caso da publicidade, uma das contribuições de Sócrates é expressa através de uma frase: “Só sei que nada sei”. Essa frase poderia virar mantra publicitário. Afinal, publicidade não pode ser obsoleta. Três palavras muito relacionadas com publicidade são inovação, criatividade e originalidade. E como ser criativo e original fazendo apenas o que todos fazem. Pensando que já que sei fazer uma forma de edição, já basta. Eis que entra em cena o nada sei. Para o bom publicitário é fundamental nunca estar satisfeito, querer sempre aprender mais, sair do lugar-comum. É importantíssima uma constante renovação. Tem de ir em busca de novas idéias, novos formatos, novas referencias, saber de tudo um pouco, modos de dirigir, de editar, de sonorizar. Tem de estar atento a tudo que acontece no mundo, e acima de tudo, ter um olhar critico sobre isso.

Kant tinha como premissa que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a nossa experiência do mundo.

Não podemos saber com certeza como o mundo é “em si”. Só podemos saber como o mundo é “para mim”. Nunca seremos capazes de saber com toda a certeza como as coisas são “em si”. Só podemos saber como elas “se mostram” a nós.

Impressões sensoriais como cores, cheiro, gosto ou sons, por exemplo, não reproduzem as características verdadeiras, presentes na coisa em si. Reproduzem apenas o efeito que essas características exteriores exercem sobre os nossos sentidos.

Tamanho e peso são inerentes às coisas em si. Cor e gosto, podem variar, dependendo de como são constituídos os órgãos de sentido de cada individuo.

Nesse sentido entra uma das correntes de teoria da comunicação. David Ogilvy (1911-1999) dizia que “comunicação não é o que eu digo, é o que os outros entendem”. Por fim, outro teórico, David Berlo (1929-), ressalta que “os significados não estão na mensagem, e sim nos usuários”. Pensando nisso, Kant, Ogilvy e Berlo tem esse ponto em comum, onde o que interessa é o que é percebido pelo consumidor, no caso publicitário. O foco do produto tem de ser o consumidor, a mensagem tem de ser feita para o consumidor entender, afinal, não adianta fazer um anuncio com uma sacada inteligentíssima se o consumidor entende de forma errada, ou pior, não entende.

Como publicitários temos de ter em mente não como os produtos ou serviços são em si ou se mostram para nós, mas que efeitos exercem sobre o consumidor. Como o produto se mostra para eles e, a partir disso, criar uma mensagem que seja inteligível ao consumidor. A peça-fundamental aqui é o consumidor e como ele percebe a mensagem.

 

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Análise da crônica “Amizade” do livro “Retorno e Terno” de Rubem Alves

Rubem Alves descreve perfeitamente o que é um amigo. O que é uma amizade. A verdadeira, não a de festa.

Lendo a crônica de Rubem Alves sobre a amizade, lembrei do meu segundo grau. Das minhas amigas do segundo grau. Minhas amigas e o bicho-papão chamado separação. Era o nosso maior medo pois cada uma iria prestar vestibular para um curso diferente e tínhamos em mente universidades diferentes, de cidades diferentes, estados diferentes. Cada uma visualizava um futuro. Nos conhecíamos a mais de 10 anos, crescemos juntas, amadurecemos juntas. E cada dia que a ida se aproximava, a tensão e a tristeza aumentavam. Todas sabíamos que a rotina não seria a mesma, pois nos víamos todo dia, manhã e tarde e à noite, sempre conversamos por MSN. Passávamos mais tempo juntas do que com nossas famílias. Prometemos que manteríamos  contato, que não deixaríamos a distancia atrapalhar essa amizade de anos. Hoje, dois anos depois, continuamos amigas. Um tipo de amizade diferente, que está acima da distancia. Daquelas que a gente sabe como a outra se sente sem nem precisar olhar. E percebo o quão isso, apesar de simples, é difícil de encontrar.

As amizades, ou melhor, a concepção de amizade muito muito.

Hoje com as redes sociais, Twitter, MSN, Orkut, Facebook, etc. a amizade se tornou um objeto quantitativo, não qualitativo. Se por um lado essas ferramentas diminuem a distância, oferecem instantaneidade, diversas formas de contato e possibilita, conhecer novos “amigos”, baseado  em pontos em comum, como estilo de vida, gostos, etc.. por outro, o individuo nunca se isolou tanto.

O contato virtual impera nesse mundo globalizado, onde as distancias foram apagadas e as pessoas se isolam cada vez mais, já que o computador se transformou em uma janela aberta para o mundo. Esse novo cenário fez os valores mudarem. “Eu te amo” virou “bom-dia”. Trair é uma coisa normal. Sentimentos puros e desinteressados são vistos como pieguice e hipocrisia. E amizade reside – residia, ao menos – exatamente na pureza e no desinteresse.

Atualmente os ‘amigos’ são mais descartáveis; aquele que trabalha junto comigo, na maior parte das vezes tem uma relação estratégica. Hoje em dia tudo é estratégico. Caso não me convenha, descarto, desconecto. Agora, se isso me ajudar a crescer, lá estou eu, alimentando todo esse gás com meu comportamento “dinâmico”.

As amizades estão baseadas no interesse. Em sua maioria são superficiais e artificiais. Definem-se numa relação surda de competição – do sorriso civilizados, mas sobretudo, bárbaro. O ‘amigo’ é alguém que pode puxar o tapete assim que surgir uma oportunidade. Há também aquele  ‘amigo’ que é só você virar as costas já esta falando mal. Tem também aquele que é só ouvir a palavra ‘festa’ e esta do seu lado, mas quando você tem um problema, além de não te dar suporte, ajuda a jogar pedras. Outra espécie de ‘amigo’ que está na moda é aquela que é só você precisar de ajuda, some. Isso prova a tese de que ‘amizade’ infelizmente não passa de oportunismo e um jogo de conexões.

Um exemplo claríssimo que a amizade é apenas uma questão de parasitismo – quem é nerd sabe – é o seguinte: em dia de prova, o número de ‘amigos’ quintuplica.

É a relação que o mesmo Rubem Alves descreve na cronia, “Tênis X Frescobol”. A amizade de hoje é um jogo de tênis.

“O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no se erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar […] termina com a alegria de um e a tristeza de outro. […] Tenis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… o que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamente. Aqui, quem ganha sempre perde”.

Além disso, somos jogados de um lado para o outro, sem vínculos afetivos e com ligações meramente pragmáticas.

Uma frase reflete bem a amizade moderna: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.

Aquele amigo que Rubem Alves descreve, o verdadeiro amigo, é uma espécie em extinção. Companheirismo e cumplicidade estão em falta no mercado.

Poderia haver problemas, mas o amigo verdadeiro era ‘aquele’ amigo, sabíamos onde estava. O amigo tinha e ocupava verdadeiramente um lugar, com todas as vantagens e desvantagens que ‘ter um lugar ‘ pode possuir.

A intimidade que se tem com um verdadeiro amigo é única: nos permite falar de todos os seus defeitos e de todas as qualidades. Não apenas dividimos trivialidades, como nossas notas e as presepadas do fim de semana; dividimos nossos segredos mais íntimos.

Esses amigos a quem Rubem Alves se refere são um refugio particular. Pessoas nas quais se encontra conforto, que sorriem nos momentos alegres, consolam nos tristes. Conhecem e aceitam do jeito que somos. Acompanham, estão lado a lado nos sucessos e fracassos. Compartilham e aliviam nossa dor. Jamais julgam, sempre nos fazem melhorar.

Os amigos de Rubem Alves são extremamente raros. E a vida não tem sentido sem as verdadeiras amizades. Afinal, o que seria de nós sem ter alguém dividir alegrias e tristezas?

 


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