Desabafo. Parte 1

Bom, aconteceu muita coisa em pouco tempo. E eu não estava nem um pouco preparada. Eu não tive nem tenho capacidade de digerir tudo.

Ultimamente eu não tenho certeza de muita coisa. Eu estou confusa, triste, nervosa, com raiva, ansiosa, tudo ao mesmo tempo ou em intervalos de segundos. E eu estou usando uma máscara. Para o “mundo” eu estou bem: feliz, trabalhando, finalmente tirando a carteira de motorista, interessada nos estudos – já passei metade do curso. Mas não. Eu estou despedaçada. Sem ânimo pra nada.  Eu só quero chorar. E dormir. Dormir porque se eu durmo, eu não penso. E se eu não penso, eu não choro. E eu vivo na internet. Eu poderia beber (eu pensei nisso), usar drogas (não fiz isso por ser careta, covarde ou inteligente, depende do ponto-de-vista), mas não, eu me jogo no meu mundo idealizado da internet e tento esquecer o resto. E por algumas horas eu consigo. Converso com amigos, assisto minhas séries preferidas, viajo por Tumblrs, rio de vários tweets, e assim minha vida parece mais fácil e o mundo não é tão ruim.

Meu avô tem Alzheimer e a doença deixou ele em estado terminal. Bem que dizem, a velhice é um retorno à infância: o vô é um bebê grande.

Ontem, o vô abriu os olhos depois de muito tempo e eu percebi que ele estava lúcido. E só vi uma coisa: dor. Um pedido de ajuda.

E isso me machucou. Foi maior que qualquer dor que eu já senti até hoje. Não só porque pode ser uma das ultimas vezes que o verei assim, mas porque ele está sofrendo muito, e se tem alguém que não merece sofrer, desse jeito e nessa idade, é o vô. É injusto. Demais.

Me sinto impotente e fraca. Eu não posso fazer nada a não ser assistir e tentar fazer com que ele fique confortável.

Eu não me importo em dar banho, dar comida na boca, trocar a fralda, não me importo em fazer nada disso. Não que eu goste, afinal, tudo que eu queria era que o vô estivesse bem, andando e dando risada por aí, mas pelo menos, sinto que estou fazendo alguma coisa. Mas vê-lo sofrer eu não consigo, eu não suporto. Me sinto inútil, uma nulidade.

Tanto é que estou evitando ao máximo vê-lo. É estranho gostar tanto de uma pessoa que não consegue nem vê-la. Mas é assim que eu estou.

Porém, eu tenho um parafuso solto e parece que se não vou lá, minha mente estranha diz que eu não me importo. Quando é o extremo oposto. Eu AMO ele e me importo TANTO que eu não consigo ver ele sofrendo. Eu não quero ver ele desse jeito. Eu quero lembrar dele feliz. De quando a gente assistia os jogos do Grêmio e xingava o juiz. Ou quando ele pedia, todo querido, torrada. Ou de quando a gente caminhava e ele ficava todo orgulhoso quando conseguia dar passos largos e começava a marchar. Ou quando ele contava as historias dele: do Candango, de quando ele derrubou o galinheiro, ou de quando ele desceu rolando um barranco, mas não quebrou as melancias.

Tudo que eu queria era ter isso de volta.

 

Vô, você pode não lembrar de mim, mas pode ter certeza, eu NUNCA vou te esquecer e SEMPRE te amarei.

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Opção, vocação, genética?
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