Cisne Negro

Post mais que atrasado.

Era para ter sido colocado antes do Oscar.

Cisne Negro é fabuloso. Trágico e belo. Com tensão enrraigada em cada momento, cada cena, cada Segundo.

A história em si é bem banal: uma bailarina (Nina) disputa o papel principal de um espetáculo de uma companhia de dança. O espetaculo é “Lago dos Cisnes”. Para quem não conhece,  é um balé dramático em quatro atos do compositor russo Tchaikovsky e com o libreto de Vladimir Begitchev eVasily Geltzer. A sua estreia ocorreu no Teatro Bolshoi em Moscovo no dia 20 de fevereiro de 1877. Para as crianças, o “Lago dos Cisnes” é mostrado de maneira mais romantizada e mais feliz com a “Princesa Odete”.

O espetaculo original é assim:

Ato I

No castelo realiza-se com toda a pompa o aniversário do príncipe Siegfried. A rainha oferece ao filho como presente um arco e flechas e pede-lhe que, no dia seguinte, escolha uma esposa entre as convidadas da festa. Quando os convidados saem do castelo, um grupo de cisnes brancos passa perto do local. Enfeitiçado pela beleza das aves, o príncipe decide caçá-las.

Ato II

O lago do bosque e as suas margens pertencem ao reino do mago Rothbart, que domina a princesa Odette e todo o seu séquito sob a forma de uma ave de rapina. Rothbart transformou Odette e as suas donzelas em cisnes, e só à noite lhes permite recuperarem a aparência humana. A princesa só poderá ser libertada por um homem que ame apenas ela. Siegfried louco de paixão pela princesa das cisnes, jura que será ele a quebrar o feitiço do mago.

Ato III

Na corte da Rainha aparece um nobre cavalheiro e sua filha. O principe julga reconhecer que a filha do nobre cavalheiro Odile é a sua amada Odette, mas na realidade por baixo das figuras do nobre cavalheiro e a sua filha escondem-se o mago Rothbart e a feiticeira Odile. A dança com o cisne negro decide a sorte do principe e da sua amada Odette: enfeitiçado por Odile, Siegfried proclama que escolheu Odile como sua bela futura esposa, quebrando assim o juramento feito a Odette.

Ato IV

Os cisnes brancos tentam em vão consolar a sua princesa. Mas Odette destroçada pela decisão do príncipe, aceita a sua má sorte. Nesse momento surge o príncipe Siegfried que explica a donzela como o mago Rothbart e a feiticeira Odile o enganaram. Odette perdoa o príncipe e os dois renovam os votos de amor um pelo o outro. O mago Rothbart, impotente contra esse amor, decide se vingar dos dois e então inunda as margens do lago, Odette e as suas donzelas logo se transformam em cisnes novamente e o príncipe Siegfried tomado pelo desespero se afoga nas profundas e turbulentas águas do lago dos cisnes. O príncipe não sobrevive. É a morte de amor.

Mas no caso do filme, o diretor da companhia decide fazer algo inovador: a mesma bailarina interpretará tanto o cisne negro quanto o cisne branco. Enquanto o cisne branco é virginal, correto, extremamente disciplinado e controlado, engessado, quase uma Sandy, o cisne negro é seu oposto: livre, descolado, extrovertido, poderoso, intenso. Nina é perfeita para o papel do cisne branco, o problema é o negro. Ela não consegue se soltar, e desse modo, não consegue dar vida ao cisne negro. O problema é que outra bailaria, Lily, é tudo que Nina quer ser mas não consegue, sendo perfeita para o papel do cisne negro.

Mesmo assim, Nina consegue o papel. E aí começa a paranóia. Existe a pressão de sua mãe, ex-bailarina frustrada que se projeta na filha, querendo e pressionando ela a alcançar tudo que não conseguiu; a pressão de interpretar os dois papéis com a mesma intensidade e precisão; o diretor que a leva ao limite devido a dificuldade dela em encontrar a forma de interpretar o cisne negro; Lily sempre está à sua sombra; e claro, ela mesma: a inesgotável e terrível busca pela perfeição. Tensão, nervosismo e ansiedade são as únicas emoções presentes em Nina, e Natalie Portman expressa isso de uma forma chocante e real. Os gestos, a expressão corporal reprimida e angustiada, tudo. É impossível não entrar na paranóia dela e se sentir comovida.

A paranóia é tanta, a mania de perseguição é tão presente e tão extrema, que em determinado momento eu achei que estava assistindo “Jogos Mortais”, de tão doentias que eram as cenas.

Os cenários, as roupas, a maquiagem, os ângulos… tudo é extremamente detalhado, bem-feito e magnífico. O balé já tem uma aura de delicadeza, detalhismo, perfeccionismo, beleza, tragédia e classe; e junto com o trabalho do diretor, das atrizes e da fotografia, faz de “Cisne Negro” uma obra-prima.

As cores preto e branco, o jogo de luz e sombra, dão todo o ar de suspense e tensão do filme. São uma parte fundamental na criação do clima de thriller. A paranóia é tanta que a realidade se torna subjetiva. Realidade e fantasia se misturam de tal forma que é difícil separa-las e dizer o que é o que. Você nunca sabe que aquilo realmente aconteceu ou se é apenas uma visão (meio “A Origem”).

Preciso falar do corpo delas: o que é aquilo? São magérrimas – não do tipo anoréxicas – mas magras de não ter um pingo de gordura no corpo. São extremamente definidas e com medidas mínimas. Mila Kunis (Lily) falou em uma entrevista que só comia 1200 calorias por dia e que a preparação durou seis meses. Além disso, ela e Natalie se trancavam num quarto quando tinha alguém comendo. Ela falou que era brincadeira, mas não duvido que tenha um fundo de verdade.

Enfim, é meu preferido ao Oscar.

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